segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Editorial: Google Livros e Amazon Kindle no Brasil. Por que tão caros?

Play_Livros
O Google, assim como a Amazon, lançaram recentemente suas lojas de livros digitais no Brasil. O Google lançou também a de filmes, mas sobre essa falaremos depois. Ambas as lojas trazem todo o esmerado funcionamento que os americanos conhecem há tempos. São de simples navegação e é muito fácil se encontrar o livro que se quer (desde que esse esteja disponível, é claro). Mas com a inauguração de duas das maiores lojas de livros digitais do mundo lançando suas versões em português, com livros traduzidos para o português do brasil, vem algumas perguntas que sempre me fiz e agora ficam mais evidentes.

Uma delas é: Porque temos o preço que temos em livros digitais no Brasil?

Ao verificar uma lista de 30 livros que ambas as lojas tem em suas versões em português BR, pude verificar coisas muito estranhas. Dos 30 livros, 22 deles tinham exatamente o mesmo preço, até nos centavos. Dos 8 que restaram, a maior variação de preço que encontrei foi em torno de 4 reais (o que até era muito pois se tratava de algo próximo a 20% de diferença), mas a média ficava em 2 reais de diferença. Nenhuma das lojas teve vantagem sobre a outra, pois as poucas vitórias se alternaram. O mais inacreditável veio ao comparar o preço dos livros de ambas as lojas com suas alternativas reais. Pesquisando em lojas virtuais, livros reais, pude comprovar que TODOS os livros puderam ser encontrados em seus formatos de papel, mais baratos que sua versão digital.

Comecei a me perguntar então qual seria o motivo disso. Pelo pouco que sei da legislação tributária do Brasil, livros não pagam impostos, ou se o fazem, pagam muito pouco. Segui a diante em meu raciocínio e pensei: Filmes de alto padrão tem um custo altíssimo para serem produzidos. Centenas de pessoas tem de ser empregadas, milhões gastos em equipamento (só para “O Hobbit” foram compradas 50 câmeras RED especiais no valor de 55 mil dólares cada, sem contar a memória de cada uma), milhares de computadores tem de ser usados em efeitos especiais, locações, autorizações especiais para filmagens em locais especiais (ou você acha que fechar um quarteirão em Nova Yorque, por exemplo, é fácil?), edições e muitas outras coisas que nem vale perdermos mais tempo. Isso custa muitos milhões de dólares. Sem esse dinheiro, dificilmente se faz um filme blockbuster hoje em dia.
Mas com livros a coisa é diferente. Uma pessoa, ou algumas poucas, podem ser responsáveis por escrever algo que venderá milhões de cópias pelo mundo. É claro que temos que levar em conta os tradutores, os revisores, e até mesmo os editores. Mas comparando com um filme, o valor gasto para se produzir um livro é irrisório.

Porque então temos livros custando o mesmo que seus derivados animados? E porque custam tão caro quanto seus parentes mais próximos, os livros de papel? Nos livros de papel ainda se pode discutir o custo de fazer cada livro, como o material do papel e capa. Mas no livro digital? Só se perde tempo UMA vez, nem mesmo novas edições são necessárias caso não se tenha erro.

O espaço gasto para armazenar em servidores um livro e um filme são, novamente, desproporcionais. Um filmes tem que ser armazenado em diversos formatos (SD, 720p, 1080p) e o livro em UM SÓ, que ocupa perto de 1/1000 do tamanho de um filme em 720p. Novamente não se tem motivo para o valor.

Foi aí que me bateu a ideia. CARTEL!
Só um Cartel pode explicar o que se cobra por um livro digital aqui. Nos EUA, que usa o formato há muito mais tempo, os livros digitais custam em média 25% a menos que os normais. Ainda é pouco, mas é algo. E lá os preços variam muito mais de um fornecedor para outro. Mesmo contando com a comodidade de, sem sair do sofá, poder ter seu livro “em mãos” em minutos, não vale o preço cobrado por aqui.

Google e Amazon, que tal fazer o que fez de vocês os gigantes que são hoje, e competir para conquistar o consumidor, ao invés de se fazer parecer uma loja tipicamente brasileira e se aproveitar da inexperiência do Brasileiro para cobrar mais?

Márcio Mattos

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