sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O que esperar... do novo iPhone! (2012)

IP5_W1_renderAgora que estamos chegando a Setembro e o lançamento do novo iPhone fica cada vez mais próximo, e podemos voltar a imaginar o que vem por aí no reino da maçã. Uma das coisas que temos que ter em mente é que esse será o primeiro lançamento de extrema importância para a Apple desde a perda de sua maior liderança nas ultimas décadas. Tim Cook vem fazendo um grande trabalho, mas esses serão provavelmente os últimos produtos com a “mão” de Steve Jobs e a partir daí a Apple passa a ser uma nova empresa.

Vamos agora ao que interessa. Quais mudanças podemos esperar e o que cada uma delas acarretará para a Apple e para o mercado como um todo?

DESIGN

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O iPhone desde que foi lançado teve somente 2 designs básicos (3 se você considera que o primeiro e o 3G eram muito diferentes, que não é meu caso), o baseado na primeira versão que foi até o 3GS e o baseado no iPhone 4 que vem até o 4S. Finalmente neste ano o iPhone, ao que tudo indica, irá mudar novamente e não será uma mudança leve.

Pela primeira vez um dispositivo iOS terá a tela em um formato diferente do 4:3 tradicional desse sistema. O iPhone 5 terá uma tela de formato 16:9, trazendo assim um dispositivo iOS para o formato que hoje é o mais utilizado na área de informática há alguns anos. Isso é bom para a Apple, pois tira uma certa defasagem que ela tinha na hora de, por exemplo, ver vídeos, pois ficavam com faixas pretas nas bordas usando uma área menor da tela. Ao navegar o usuário também se beneficiará, já que o aparelho poderá agora mostrar mais informações das páginas.

O que muda não é só o formato mais alongado, mas com ele vem também maior tamanho. A tela agora terá perto de 4 polegadas. Aqui vem uma pegadinha, se a Apple dirá que ele tem 3,998 polegadas, como já vazado, para não desmentir o Steve Jobs que disse que 4 polegadas era grande demais para um telefone, ou se dirá que tem 4 polegadas, que por muitos usuários (menos os de iPhone que odeiam admitir, mas adorariam ter um com tela maior) é considerado o mínimo aceitável para telefones de primeira linha.

O aparelho irá ter a mesma largura que um iPhone 4S e mais altura (abrindo assim espaço para a tela alongada), a profundidade deve ser um pouco menor (aparelho mais fino) porque com a maior altura a bateria pôde ser alongada e assim ficar menos espessa, ajudando a ter um aparelho mais fino.

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Ao que tudo indica, teremos um aparelho com corpo de metal, diminuindo assim o risco de ter o fundo todo quebrado por ser de um material mais rígido que o vidro usado nos iPhone 4 e 4S (muitos amigos meus com iPhone sofreram com isso, principalmente na parte traseira). O aparelho terá também duas partes de vidro pequenas na traseira, em cima e em baixo, que servirão para as antenas de WiFi, celular e afins. A frente será bem parecida com a atual, dando realmente a cara de um iPhone 4 mais longo. A lateral será agora parte integrante da traseira, e terá uma aparência quase idêntica a atual.

PROCESSADOR

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Aqui vem uma das partes mais interessantes. Em épocas de quad-core Cortex A9 (GS3 e One X), dual-core Cortex A15 (nova arquitetura, mais moderna e mais potente usando menos energia, novamente GS3 e OneX nas versões LTE), a Apple resolverá provavelmente “não mudar” a arquitetura de seu processador. O motivo de “não mudar” estar entre aspas é que ela irá fazer mudanças mas no processo de fabricação somente e não na arquitetura. Para ajudar com a maior resolução do display (causada pelo aumento vertical da tela, tendo perto de 20% a mais de pixels para controlar) a Apple deverá aumentar o clock do processador. Se ela fizesse isso sem modificar nada no processador, o aumento da carga faria o aparelho ter um consumo muito maior. A saída que ela deve usar é a de usar o processador do iPad conhecido como 2,5. Esse iPad é a segunda geração do iPad2 que nada mais é que o mesmo processador do iPhone 4S mas utilizando um processo menor de fabricação. O Atual usa 45nm como processo o novo usará 32nm e com isso se aproxima dos novos Krait 25nm e Exynos da Samsung 28nm. Isso faz com que o novo processador seja menor (e com isso mais barato de produzir), mais frio e use menos energia, podendo mesmo com tudo isso ter um clock maior. Com o novo clock que deve ficar perto de 20% maior para compensar a nova tela, o novo telefone teria a mesma performance ou até um pouco mais, e teria mais duração de bateria usando uma de mesma capacidade. A bateria aliás usa uma nova quimica, que começou a ser usada pela Motorola ano passado e ja foi dotada por outros fabricantes, que faz com que tenha mais capacidade com o mesmo tamanho.

Isso tudo mostra que apesar de não ter a mesma capacidade de processamento dos novos telefones dos concorrentes, a Apple se dá por satisfeita com a performance que tem hoje. Eu concordo com ela, porque com um único hardware é mais fácil tirar 100% de performance de um processador e com todos os softwares de hoje já otimizados para esse hardware, porque mexer? Aumente o clock proporcionalmente ao que aumentará de pixels e pronto, temos a mesma performance. Pergunte a um usuário de iPhone se ele acha o telefone lento, e verá que faz sentido o pensamento da Apple.
Mais barato, menos energia, mais clock (performance), menor, e mantendo a mesma funcionalidade de hoje, só ganhos para a Empresa. A única coisa é que os concorrentes poderão se gabar de ter um hardware melhor (que será verdade) mas isso não afetará a imagem do aparelho para pior em marketing.

É capaz de a memória aumentar de 512 para 1024 MB e também aumentar a velocidade, para ajudar o processador a manter a velocidade com esses novos pixels.


TELA

A tela como já disse antes deve ficar em 4 polegadas com o formato de 16x9 e aumentar seus pixels dos 640 x 960 para os 640 x 1136 novos. Mas não é só isso, a Apple tem uma ótima tela nos iPhones 4 e 4S, mas já foram ultrapassadas (tem 2 anos também, normal isso) pelos seus concorrentes. Por isso eles não ficaram parados e mudaram algumas coisas básicas da tela, além da resolução. As telas atuais de celular usam uma camada que fica acima da tela LCD/AMOLED/SAMOLED para detectar o toque, mas uma nova tecnologia surgiu no último ano, chamada IN-CELL touch. Essa tecnologia permite que essa camada, ao invés de ficar em cima da tela, seja integrada a tela (em uma de suas várias camadas) e com isso faça com que o conjunto tela + sensor de toque fique bem mais fino (cerca de 30%). Isso ajuda a dar credibilidade de que o aparelho novo seja mais fino que o 4S.

CONECTIVIDADE
Aqui vem um dos assuntos mais polêmicos na minha opinião. Para poder ter um PCB (placa interna) menor e talvez mudar a forma de comunicação de dados, a Apple MUDOU o conector padrão que existe desde seu primeiro aparelho e está em todos os seus produtos mobiles. Sejam eles iOS ou não, os diversos iPods, iPads e iPhones fabricados por ela até hoje e que tem milhões de acessórios (sejam eles Apple ou de terceiros) não tem o mesmo conector do novo iPhone. E o pior, ele é novamente proprietário, se fosse uma mudança para um conector MHL ou MicroUSB eu até entenderia. Isso é muito problemático. Mesmo que a Apple lance um adaptador (deve estar com ele pronto desde o anúncio do aparelho) para fazer com que o novo iPhone seja compatível com as docks anteriores, isso não seria algo 100% certo de funcionar. Muitas docks fazem seu conector já pensando em segurar o aparelho que tenha até certo peso e tamanho, e não levaram nunca em conta que poderia mudar. Aposto que muita gente por aí, mesmo com o adaptador, não poderá encaixar ou usar sua dock de som, dados, carregamento e afins por esse motivo, e não ficará nada feliz com isso.

Fora o uso de um conector e cabo novos, o iPhone de 2012 trará também, muito provavelmente, LTE. A maioria dos telefones TOP dos EUA (para não dizer todos) hoje em dia são lançados com LTE, motivo pelo qual as versões de Samsung GS3 e HTC OneX nos EUA usam processadores diferentes das versões mundiais. O maior mercado da Apple ainda é disparado o mercado americano, mesmo sendo forte no resto do mundo ela não pode deixar de oferecer pelo menos o mesmo que seus maiores concorrentes, e com todos os TOP Android e inclusive os novos Windows Phone 8 que estão para sair oferecendo LTE, não há porque não fazer o mesmo. Outro motivo é que ela já testou a tecnologia nos novos iPad e viu que não é nenhum bicho de 7 cabeças, e desde este lançamento já saíram chips LTE mais econômicos com as baterias.
O WiFi talvez venha também com a possibilidade de 5GHz e o BlueTooth será o mesmo 4.0 que é a ultima versão. Já o NFC que é a nova tecnologia queridinha dos aparelhos TOP não deve aparecer no novo iPhone, já que seu design meio que limitaria o uso com a grande parte da traseira de metal atrapalhando qualquer tipo de antena NFC, mas nunca se sabe.

SISTEMA
Aqui provavelmente não teremos nenhuma novidade fora o que já foi anunciado na feira de desenvolvimento da Apple. iOS 6, com mapas da Apple (em conjunto com TOM TOM) em vez da Google e afins. A novidade fica com a nova LINHA de ícones que caberá na tela, 5 linhas em vez de quatro. Trará as mesmas e velhas funcionalidades, para o bem e para o mal que todos conhecem. Fluidez e estabilidade e falta de personalização, cada um com seu cada um, pois não entrarei nessa discussão aqui.

O grande porém deste área é que pela primeira vez a Apple sai do formato 4:3. Mesmo quando ela lançou o iPad há 3 anos, ela manteve o formato da tela, mudando a resolução mas não o formato ela mantinha a compatibilidade com aparelhos mais velhos. Quando lançou o iPhone 4 e o iPad 3, fez o mesmo, aumento de resolução e mesmo formato. Agora com o novo formato, entraremos no mesmo problema (embora com menos escala) que temos hoje no Android, não só múltiplas resoluções e DPI, mas também múltiplos formatos. Não se sabe ao certo como isso afetará os APPs existentes. É fato que os desenvolvedores TOP já estão sabendo disso há tempos e já devem ter atualizados suas aplicações para funcionar em ambos os formatos, mas e aquele APP velho de guerra que não recebe atualização mas vc adora? Aquele que apesar de pouco famoso tem muitos downloads e o desenvolvedor não se preocupou para múltiplos tamanhos de tela e não quer se dar ao trabalho? Teremos que ver como isso fica na pratica, e que tática a Apple vai adotar. Manter a tela quadrada no meio do aparelho com tarjas pretas em cima e em baixo? Esticar a tela e deixar como as televisões 16:9 quando passam conteúdo velho no modo esticado? Só saberemos depois do lançamento, mas o fato é que a Apple enfim entrou no ramo de fragmentação de telas. Mesmo que com poucas possibilidades (só 2 formatos de tela), ela terá problemas.

O Android, por ter esse problema por tanto tempo, facilitou absurdamente a vida dos desenvolvedores. Não se precisa fazer um APP normal, outro com mais resolução e um para cada formato (4:3, 1:1, 16:9 e 16:10). O Desenvolvedor faz um só e as APIs do Google saber como fazer a arrumação das interfaces (desde que o app seja bem feito e siga as regras do Google), e isso se mostra no fato de ao comprar um APP para Android o cliente tem esse mesmo APP para todos os tamanhos e resoluções de tela, e paga UMA VEZ. Nos iOS muitas vezes ao comprar para o iPhone, se vc quiser o mesmo APP em sua versão par iPad precisa comprar de novo. Eu acho essa pratica um absurdo, não sei se é imposta pela Apple ou se os devs de iOS são mais gananciosos, mas gosto de comprar um teclado ou um jogo para Android por exemplo e usar ele em meus múltiplos tablets e celulares sem ter que pagar de novo. Será que agora teremos que comprar até 3 ou 4 apps? (iPhone 4 e 4S, iPad, iPad3 e iPhone 5 ou 2012). Só o Tempo dirá, mas acho que não.

RESUMO FINAL
O aparelho trará mudanças mais do que bem vindas, e NECESSÁRIAS para a Apple se manter competitiva e no topo das vendas, não necessariamente em primeiro mas sempre por perto pelo menos. Fazia tempo que ela precisava de tela maior e também de um formato melhor para mídias. O Formato é bem capaz de ser estendido ao seu novo tablet de tamanho menor, perto de 7 polegadas, que está por vir. Outro que Steve Jobs fez piadas há tempos atrás, mas também participou do desenvolvimento. Para vocês verem como são as coisas, e como os tempos mudam, mesmo os gigantes tem que se adaptar. Mas uma coisa é certa, a Apple está sabendo jogar pelas regras mesmo quando elas mudam. E novamente, o aparelho vai vender como água no deserto. Apesar de, no fim das contas, ser nada mais que um aparelho equivalente ao que as outras fabricantes já fazem desde o início de 2011.

Márcio Mattos.

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